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segunda-feira, 11 de junho de 2018

A pílula

Tomei a pílula durante quase 10 anos.

Deixei de tomar alguns meses antes de tentar engravidar (cerca de 10 meses antes para ser mais explicita), de forma a fazer a dita "desintoxicação".

A toma da pílula deixa-nos sempre um peso em cima quando não conseguimos engravidar logo assim que começamos a tentar. Sabemos de inúmeros casos de pessoas que conseguiram engravidar logo no mês seguinte a deixar a pílula, mas isso não nos sossega, não nos conforta.

Quando nos primeiros meses de tentativas para engravidar não conseguimos sucesso quase todas atribuímos a culpa aos anos que tomamos a pílula, e consequentemente sentimos o peso dessa culpa.
Eu tomei a pílula 10 anos sem qualquer necessidade. 

Hoje, quase 4 anos depois de ter deixado de tomar a pílula, penso nunca mais voltar a fazê-lo.

Hoje, depois de muitas conversas com amigas que deixaram de tomar a pílula, umas por estarem a tentar engravidar outras por se esquecerem frequentemente da toma e terem optado por outro método, todas chegamos à mesma conclusão : a pílula retira o desejo sexual. 

A minha vida sexual melhorou desde que deixei de tomar a pílula.

Se algum dia voltar a usar algum método contraceptivo a pílula estará fora de questão. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Felicidade também é isto!

As cores invadem-me a sala, corro para a janela como uma criança, e lá ao fundo no horizonte a mãe natureza contempla-nos com um por do sol maravilhoso. Chamo-o para ele também ver. Ele vem, sabe que não o vou parar de chamar até que ele venha. Eu sei que ele não tem o mesmo entusiasmo que eu ao apreciar o por do sol, não importa, eu consigo ficar em euforia pelos dois.
Aprecio o momento, tiro fotos, parece que estou a assistir a algo que nunca vi, e sou assim feliz, com as maravilhas da natureza. Faço o mesmo com os arco-íris ou com o nascer do sol.
Não sou de estar fechada, quando penso em passeio de fim de semana não penso em ir para dentro de um centro comercial, penso sim em estar em contacto com a natureza e nisso somos iguais.





segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Esperar

Considero-me uma pessoa forte psicologicamente, apesar de choro fácil, tento ver o lado positivo das coisas, tento não me deixar abalar pelas situações, mas não é fácil, acreditem que não é.

Quem se aventura nesta viagem da procriação medicamente assistida (PMA) num hospital público tem que estar preparado psicologicamente e tem que ter muito jogo de cintura para lidar com todo o tipo de informações e situações que vamos enfrentando ao longo do processo.

Aqui não há falinhas mansas, aqui é tudo dito a frio, dói, queima a alma, mas sinceramente agradeço que assim seja. Não aguento o "tenham calma", "vão ver que quando relaxarem vão conseguir" ou o " se não pensarem no assunto irá acontecer". Não. Não irá acontecer sem a intervenção da ciência. 

Não é fácil esperar 5 meses por uma primeira consulta. Não é fácil esperar quase 2 meses para a segunda consulta. Ninguém nos preparou para isto. Não é fácil ouvir que temos de fazer mais exames. Esperar mais 2 meses para mostrar esses exames. Marcar novos exames e esperar. 

Esperar foi a minha palavra do ano em 2017! Por vezes já não sei se "quem espera sempre alcança" ou se "quem espera desespera".

Esperamos mais de 6 meses por um resultado de um exame genético e agora continuamos à espera para marcar consulta para saber dos resultados. Conto já com quase 16 meses de espera desde que nos inscrevemos para a primeira consulta. Sei que vou esperar muito mais. 

Logo eu, que odeio esperar, que detesto que me peçam para ter calma, eu aprendi a esperar, quem diria! Se é fácil? Se fosse fácil não era para nós! Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores guerreiros, só espero estar à altura do desafio.

E não, não me estou a queixar, é só um desabafo. É só para as pessoas que como eu quando procuraram informações na primeira pessoa na internet tenham noção que todo o processo é lento, demorado, que temos de ter algum estofo para aguentar esta espera, que não nos podemos esquecer de viver a vida enquanto tudo isto decorre.

E sim, esperar é para meninos, quando comparado com a brutalidade da intromissão e comentários dos outros sobre a temática "ter filhos". Quando esses comentários vêm de pessoas que até passaram pelo mesmo, custa, custa muito. A nossa opção de não expor a situação possivelmente também contribui para que todos se achem no direito de opinar. Não querem mais que nós. Mas nós não queremos dramas, não queremos juízos de valor e acima de tudo não queremos ser os "coitadinhos que não conseguem ter filhos". 

Não, não estou a exagerar, já vi de perto a infertilidade de outros, esses mesmo que agora nos pedem filhos sem sequer por a mão na consciência. Já vi o drama que foi. Não quero isso para nós. Não quero ter de lidar com as frustrações e expectativas dos outros. Já nos chegam as nossas. Acima de tudo, sabemos quem somos e o que somos, não vamos passar a ser coitadinhos só porque precisamos da ajuda da ciência para ter filhos. 

E às pessoas que tentam impor filhos aos outros, vivam a vossa vida, não se preocupem em opinar sobre a nossa. Se não têm nada de bom pra dizer estejam calados.  


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sou feliz com pouco!

Sou feliz com pouco
O por do sol
Um passeio à beira mar
O riso de uma criança
Um abraço apertado
Rir à gargalhada
Estar em família 
Contemplar a natureza
Fazer um bolo
Ouvir os passarinhos
Sentir o cheiro da terra molhada
Visitar castelos
Ouvir os ensinamentos dos mais velhos
Sou feliz com pouco.
Mas tenho tanto que me faz feliz.




segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O bom filho à casa torna

Nasci na maternidade Dr. Alfredo da Costa em meados dos anos 80. Não sou do distrito de Lisboa, mas uma gravidez de risco devido a hipertensão levou a minha mãe à mais antiga maternidade do país para eu nascer.

Em mais de 30 anos de vida nunca lá fui, nunca lá tinha passado nem sabia onde era. Em março do ano passado entrei no edifício pela primeira vez, não pelos melhores motivos, mas sinceramente senti-me em casa.

O edifício tem um ar imponente, altivo, e eu que tenho a mania que controlo e planeio tudo na vida vim aqui parar para resolver uma situação sobre a qual não tenho qualquer tipo de controlo.

Foi este o local que escolhemos para tentar resolver o nosso problema de infertilidade. É deste local que espero sair um dia tão feliz como os meus pais saíram à mais de 30 anos.

O bom filho à casa torna!


sábado, 20 de janeiro de 2018

Memória e memórias

Não sei se isto é normal, mas eu normalmente recordo-me de situações que já aconteceram à muito, muito tempo, mas em conversa com a família ou com os amigos começo a aperceber-me que nem todos se lembram de situações que já vivenciamos, secalhar não deram a mesma importancia que eu a esses momentos, mas o certo é que também me lembro de coisas sem importancia alguma, e sou sempre aquela pessoa que se lembra de praticamente tudo, conversas, situações, tudo bem guardado e arquivado no belo arquivo que tem sido a minha memória.

Numa reunião de família começamos a ver algumas fotos antigas, muitas delas com muito mais de 10 anos e o meu espanto foi enorme porque as minhas tias-avós já não se conheciam a elas próprias nas fotos ou não nos reconheciam a nós. Fiquei num misto de surpresa e tristeza por isso, será que um dia me vai acontecer o mesmo? Dei por mim a dizer à minha mãe que temos que ver as fotos mais vezes para não nos esquecer-mos, mas será isso o suficiente? Eu recordo-me perfeitamente das fotos, de onde foram tiradas, em alguns casos recordo o meu estado de espirito na altura, mas será que vai ser sempre assim?

Lembro-me de ter uns 4 ou 5 anos e a minha bisavó quando queria chamar uma filha ou neta chamava os nome de todas menos da que queria chamar. Agora as minhas tias-avós não se reconhecem em fotos ou não nos reconhecem em pequenos, e eu fico preocupada. Preocupada que tenha a minha memória cheia com coisas e situações sem importância que insistem em cá ficar e que um dia quando tiver a idade delas não me lembre do nome dos meus filhos ou das feições deles quando eram mais novos, que não me lembre de mim mesma e dos momentos felizes que vivi. Preocupada porque a nossa memória envelhece assim como nós e as pessoas que nos são queridas. Preocupada porque sempre dissemos que o que fica são as memórias dos bons momentos, mas será que ficam?




sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Nesta casa



Nesta casa moram 2 adultos e 1 cão. 
Nesta casa há um quarto vazio, mas cheio de sonhos.
 Nesta casa há um jardim grande que anseia ter baloiços e brinquedos. 
Nesta casa mesmo com o passar do tempo continuamos a ser 2. 
Nesta casa sonhamos um dia ser 3 ou 4 ou mais e 1 cão, ou 2 ou mais. 
Nesta casa apesar de todos os percalços somos felizes. 
Nesta casa somos uma família.
 Nesta casa um dia seremos uma família ainda mais preenchida. 
Nesta casa lutamos contra a infertilidade.
 Nesta casa desejamos que 2018 seja o nosso ano.
 Nesta casa temos fé. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Resoluções de ano novo


Não faço grandes votos ou resoluções de ano novo, porque normalmente ainda janeiro vai a meio e já metade das resoluções têm ido por água abaixo.

As passas de uva na passagem do ano têm sempre o mesmo pedido, saúde e paz, o resto eu aprendi a correr atrás.

Para 2018 o primeiro objetivo é perder peso, algum peso, uns 10 kg, mas à semelhança dos anos anteriores já janeiro vai a meio e ainda não tenho resultados! Em fevereiro é que é! Ou em março! 

Não faço nem nunca fiz dietas tontas, tento alimentar-me melhor e fazer algum exercício, umas caminhadas, nada de mais. É certo que nunca fui magra, mas já estive mais magra do que o que estou agora. Também não tenho nenhum problema de saúde, mas posso vir a ter se não começar a pensar no assunto. 

Então por aqui vamos tentar perder peso, independentemente dos resultados daqui a 6 meses voltarei a falar do assunto, não posso querer resolver em 3 meses o que acumulei em anos!

Outro objetivo para 2018 é ser feliz todos os dias, ser feliz com as pequenas coisas, preocupar-me menos e ser a melhor versão de mim mesma. E se acham que perder peso é difícil é porque ainda não tentaram ser a vossa melhor versão!!!

E por esse lado como vão as resoluções de ano novo?


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O que queres para jantar?

Sempre que faço esta pergunta cá em casa a resposta é sempre a mesma: “qualquer coisa”.
Se por um lado isto significa que o marido não é esquisito ou que até cozinho minimamente bem, por outro deixa-me arreliada, porque quando faço esta pergunta é porque estou sem ideias ou sem inspiração e este “qualquer coisa” deixa-me fora de mim, dando por mim a dar respostas do tipo “não te preocupas com nada” ou “sim pode ser qualquer coisa desde que seja eu a fazer”. 

Cozinhar tem o efeito terapêutico em mim, não gosto que interfiram quando estou a cozinhar, da mesma forma que quando ele me diz que faz o jantar eu não gosto de interferir, ou melhor, tento não interferir, mas acabo a por o nariz na maior parte das vezes!

Aqui fica a explicação para o nome deste blog, a partir deste momento está aberto e agradece desde já todas as visitas! Por aqui a partir de agora irá escrever-se sobre “qualquer coisa” que eu ache importante, que me incomode, que me deixe feliz ou triste ou simplesmente porque me apetece! 

Sejam bem-vindos!