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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Os dias grandes

Esta é a última semana do meu tão amado horário de Verão. Dos dias grandes. Do chegar a casa com sol depois do trabalho.

Não lido bem com o horário de Inverno. Não gosto da pequenez dos dias, da falta de luz natural, das coisas que ficam por fazer por ser de noite tão cedo.

Para mim ficaria de bom grado no horário de verão o ano inteiro. Sinto-me com mais tempo neste horário, com mais energia, e a conta da luz agradecia (bastante!).

Sábado irei despedir-me dos meus dias grandes. Sábado poderá ser o fim e o começo de muita coisa.

Que venha sábado carregado de boas energias (e de coragem)!

Despeço-me aqui do meu horário de Verão, esperando ansiosamente o seu regresso. Pedindo que estes dias cada vez mais pequenos de luz natural sejam enormes com luz dentro dos nossos corações!


terça-feira, 3 de julho de 2018

PMA

Nas nossas muitas idas ao PMA (procriação medicamente assistida)  da MAC (Maternidade Alfredo da Costa) ele pergunta quase sempre se eu gostava de viver ali. Ali mesmo no centro de Lisboa, eu digo que sim, mas que não precisávamos ter carro, andávamos de transportes. Gosto daquela zona, gosto dos jacarandás em flor mesmo quando sujam o carro todo quando o deixamos 2 ou 3 horas no estacionamento.
Perco anos de vida de todas as vezes que temos de ir à MAC e saímos de casa as 6 da manhã para não apanhar transito. 
Moramos a cerca de 70 Km da capital e custa quando que temos de ir ao PMA mais que uma vez por semana. Mas é este o único custo que temos. Até agora não pagamos rigorosamente nada, tudo é financiado pelo nosso Sistema Nacional de Saúde. O preço aqui paga-se em tempo, em forma de listas de espera, em meses que custam a passar, em dificuldade em gerir a ansiedade.
Sempre acreditei no nosso sistema de saúde, na competência dos médicos e nos meios de diagnostico. Estamos à mais de 13 meses inscritos para tratamento de fertilidade na MAC e a esses 13 ainda se devem juntar mais alguns, contudo conto realizar algum tratamento até ao final do ano. 
Temos a mania de dizer que demora muito tempo, que o os centros de PMA públicos não funcionam bem avaliando apenas o tempo que esperamos.
Muitas vezes somos nós que não temos a melhor atitude perante o desespero. Temos culpa nas listas de espera.
Ainda não há um sistema unificado, logo um casal pode andar a fazer diagnostico em mais que um centro PMA, ficando inscrito para tratamento em mais que um centro PMA e ir fazer tratamento no que "chamar primeiro".
Quando me inscrevi para consultas de PMA também me inscrevi na MAC e no Hospital de Santa Maria, e decidimos que iríamos ser seguidos no PMA que nos chamasse primeiro (isto antes de qualquer exame de diagnostico), tinha o desejo que fosse na MAC, embora não consiga explicar o porquê, e assim foi.
Após a primeira consulta na MAC desmarquei a consulta em Santa Maria, não achei justo estar a tirar vaga a outra pessoa. 
Muitas pessoas são seguidas nos 2 sítios e fazem exames de diagnostico em duplicado, o que para além de aumentar o tempo de espera aumenta também a despesa pública, porque não é por nós não pagarmos nada que as coisas não têm um custo associado.
Se houvesse uma unificação dos centros PMA e as pessoas só fossem seguidas num só local (estou a falar dos centros PMA públicos) certamente que as listas eram menores, que não teríamos de esperar tanto para uma primeira consulta, ou para o marido conseguir agendar um espermograma. 
Eu entendo que o desespero fale mais alto para muitas pessoas, que querem conseguir engravidar o mais rápido possível, mas este tipo de atitude só nos está a prejudicar. Sejam conscientes, por favor.
 



segunda-feira, 11 de junho de 2018

A pílula

Tomei a pílula durante quase 10 anos.

Deixei de tomar alguns meses antes de tentar engravidar (cerca de 10 meses antes para ser mais explicita), de forma a fazer a dita "desintoxicação".

A toma da pílula deixa-nos sempre um peso em cima quando não conseguimos engravidar logo assim que começamos a tentar. Sabemos de inúmeros casos de pessoas que conseguiram engravidar logo no mês seguinte a deixar a pílula, mas isso não nos sossega, não nos conforta.

Quando nos primeiros meses de tentativas para engravidar não conseguimos sucesso quase todas atribuímos a culpa aos anos que tomamos a pílula, e consequentemente sentimos o peso dessa culpa.
Eu tomei a pílula 10 anos sem qualquer necessidade. 

Hoje, quase 4 anos depois de ter deixado de tomar a pílula, penso nunca mais voltar a fazê-lo.

Hoje, depois de muitas conversas com amigas que deixaram de tomar a pílula, umas por estarem a tentar engravidar outras por se esquecerem frequentemente da toma e terem optado por outro método, todas chegamos à mesma conclusão : a pílula retira o desejo sexual. 

A minha vida sexual melhorou desde que deixei de tomar a pílula.

Se algum dia voltar a usar algum método contraceptivo a pílula estará fora de questão. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Esperar

Considero-me uma pessoa forte psicologicamente, apesar de choro fácil, tento ver o lado positivo das coisas, tento não me deixar abalar pelas situações, mas não é fácil, acreditem que não é.

Quem se aventura nesta viagem da procriação medicamente assistida (PMA) num hospital público tem que estar preparado psicologicamente e tem que ter muito jogo de cintura para lidar com todo o tipo de informações e situações que vamos enfrentando ao longo do processo.

Aqui não há falinhas mansas, aqui é tudo dito a frio, dói, queima a alma, mas sinceramente agradeço que assim seja. Não aguento o "tenham calma", "vão ver que quando relaxarem vão conseguir" ou o " se não pensarem no assunto irá acontecer". Não. Não irá acontecer sem a intervenção da ciência. 

Não é fácil esperar 5 meses por uma primeira consulta. Não é fácil esperar quase 2 meses para a segunda consulta. Ninguém nos preparou para isto. Não é fácil ouvir que temos de fazer mais exames. Esperar mais 2 meses para mostrar esses exames. Marcar novos exames e esperar. 

Esperar foi a minha palavra do ano em 2017! Por vezes já não sei se "quem espera sempre alcança" ou se "quem espera desespera".

Esperamos mais de 6 meses por um resultado de um exame genético e agora continuamos à espera para marcar consulta para saber dos resultados. Conto já com quase 16 meses de espera desde que nos inscrevemos para a primeira consulta. Sei que vou esperar muito mais. 

Logo eu, que odeio esperar, que detesto que me peçam para ter calma, eu aprendi a esperar, quem diria! Se é fácil? Se fosse fácil não era para nós! Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores guerreiros, só espero estar à altura do desafio.

E não, não me estou a queixar, é só um desabafo. É só para as pessoas que como eu quando procuraram informações na primeira pessoa na internet tenham noção que todo o processo é lento, demorado, que temos de ter algum estofo para aguentar esta espera, que não nos podemos esquecer de viver a vida enquanto tudo isto decorre.

E sim, esperar é para meninos, quando comparado com a brutalidade da intromissão e comentários dos outros sobre a temática "ter filhos". Quando esses comentários vêm de pessoas que até passaram pelo mesmo, custa, custa muito. A nossa opção de não expor a situação possivelmente também contribui para que todos se achem no direito de opinar. Não querem mais que nós. Mas nós não queremos dramas, não queremos juízos de valor e acima de tudo não queremos ser os "coitadinhos que não conseguem ter filhos". 

Não, não estou a exagerar, já vi de perto a infertilidade de outros, esses mesmo que agora nos pedem filhos sem sequer por a mão na consciência. Já vi o drama que foi. Não quero isso para nós. Não quero ter de lidar com as frustrações e expectativas dos outros. Já nos chegam as nossas. Acima de tudo, sabemos quem somos e o que somos, não vamos passar a ser coitadinhos só porque precisamos da ajuda da ciência para ter filhos. 

E às pessoas que tentam impor filhos aos outros, vivam a vossa vida, não se preocupem em opinar sobre a nossa. Se não têm nada de bom pra dizer estejam calados.  


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O nosso problema de infertilidade

O problema de infertilidade de um casal nunca é um problema de um dos elementos, é sempre do casal, podendo ter fator feminino ou masculino ou mesmo sem ter uma causa definida o problema é sempre do casal.

No nosso caso o fator é masculino, mas será em mim que irá incidir o tratamento, logo é um problema dos dois.

Não foram poucas as vezes que desejei que o fator de infertilidade fosse meu, porque provavelmente seria mais rápido ou por não ser tão invasivo para nós dois.

O nosso problema de infertilidade chama-se azoospermia e é das principais causas de infertilidade masculina.

No mesmo dia que o nosso mundo caiu nós secamos as lágrimas e fomos à luta, no dia em que recebemos o resultado de um espermograma feito num laboratório de análises clinicas eu soube que não podíamos esperar mais e inscrevi-nos para as consultas de apoio à fertilidade para os centros PMA da nossa área de residência.

Hoje, com a devida distância desse dia, agradeço todos os dias o avanço da medicina e da ciência porque à pouco mais de 30 anos o nosso problema estaria dado por encerrado por não ter solução.



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Aprender a relativizar

Temos um problema de infertilidade, mas isto não nos condiciona enquanto pessoas, fazemos a nossa vida normal. Temos uma casa, emprego, família, amigos e saúde. Sempre que coloco tudo na balança vejo sempre mais coisas positivas, o meu copo está sempre meio cheio!

Durante estes dois últimos anos aprendi a esperar, a ter paciência, a não querer ter o controlo sobre tudo e a relativizar a situação. Eu ainda não tenho um filho, mas conheci pessoas que perderam os deles com dias de vida. Temos um problema, mas conheci pessoas com problemas de saúde graves e que nunca baixaram os braços ou deixaram de sorrir. Que direito tenho eu de me queixar da vida? Nenhum! É levantar a cabeça e encarar os problemas de frente! Um dia li algures: " Não digas a Deus que tens problemas, diz aos problemas que tens um grande Deus!" 

Acho que a pergunta "porquê a nós?" nunca me incomodou, porque nunca a achei pertinente, se assim fosse então "porquê aos outros?".

E é assim que vão passando os nossos dias, firmes e fortes e com a maior fé do mundo enquanto aguardamos numa lista de espera de um hospital público que teima em testar a nossa paciência! 






segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O bom filho à casa torna

Nasci na maternidade Dr. Alfredo da Costa em meados dos anos 80. Não sou do distrito de Lisboa, mas uma gravidez de risco devido a hipertensão levou a minha mãe à mais antiga maternidade do país para eu nascer.

Em mais de 30 anos de vida nunca lá fui, nunca lá tinha passado nem sabia onde era. Em março do ano passado entrei no edifício pela primeira vez, não pelos melhores motivos, mas sinceramente senti-me em casa.

O edifício tem um ar imponente, altivo, e eu que tenho a mania que controlo e planeio tudo na vida vim aqui parar para resolver uma situação sobre a qual não tenho qualquer tipo de controlo.

Foi este o local que escolhemos para tentar resolver o nosso problema de infertilidade. É deste local que espero sair um dia tão feliz como os meus pais saíram à mais de 30 anos.

O bom filho à casa torna!


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Nesta casa



Nesta casa moram 2 adultos e 1 cão. 
Nesta casa há um quarto vazio, mas cheio de sonhos.
 Nesta casa há um jardim grande que anseia ter baloiços e brinquedos. 
Nesta casa mesmo com o passar do tempo continuamos a ser 2. 
Nesta casa sonhamos um dia ser 3 ou 4 ou mais e 1 cão, ou 2 ou mais. 
Nesta casa apesar de todos os percalços somos felizes. 
Nesta casa somos uma família.
 Nesta casa um dia seremos uma família ainda mais preenchida. 
Nesta casa lutamos contra a infertilidade.
 Nesta casa desejamos que 2018 seja o nosso ano.
 Nesta casa temos fé.